Tuesday, 7 August 2018

férias

mas sem criar. absorver, esponja de histórias e conhecimentos e locais e sítios e estórias e factos e mitos, comer de tudo isso um pouco e deixar que a cabeça repousada os mastigue e rumine e digira, um caldo primordial, sopa da pedra de ideias e sons e palavras que serviremos no fim da refeição, empratada em papel sujo de pó de um qualquer caderno que conosco viajou.
descrever cada metro de linha do comboio como se o tivesse visto, como se tivesse olhado-o horas a fio contando as lâminas de relva, apontadas ao Céu, esperando talvez por aqueles que caem. escreverei-os exactamente como são, na minha memória que tenha deles, fraca, apagada, escura, cheia de detalhes quê não existiam lá e que por isso mesmo me são muito mais reais. contarei cada episódio, todos os montes subidos e os descidos, todos os mergulhos e todas as refeições! não esquecerei um único detalhe, até à cor dos olhos do quarto pescador (de lampreias) à esquerda na fila de baixo na foto pendurada no café da vila que não chegamos a encontrar. absorvemos então tudo, e mais tarde, suaremos e salivaremos sobre secretas sebentas sedentas de saber. come tudo o que te aparecer, vive o resto do ano inteiro nestas semanas, aproveita cada segundo e suga-lhe todos os milímetros de felicidade que neles encontrares, mas sem criar.

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