Wednesday, 4 January 2012

impermanência



Coisas vem, coisas vão. Nada fica muito tempo. Nada é permanente. Nada é eterno, nada existe para sempre.


Este mantra devia estar gravado na minha pele, como está no meu coração. Este mantra devia lembrar-me que o fim de algo é o inicio de outro algo. Este mantra devia lembrar-me que não depende só de mim a minha felicidade. Este mantra devia lembrar-me que a felicidade é um estado de espírito passageiro, que não paga bilhete e sai na paragem que bem deseja.

Mas se a felicidade é passageira, também o é a tristeza, a dor, o medo, a raiva. Tudo passa! Devo-me lembrar disso. Tudo acaba. Tenho de me lembrar disso. Tudo existe apenas por um pouco e depois desaparece, como se nunca tivesse existido de todo. Tudo é irreal excepto a minha existência. Todas as outras são sombras lançadas pela luz do meu existir.




Não existem Deusas. Não existem Anjos, Sacerdotisas, nem sequer nobres Senhoras. Existe apenas o louco poeta perdido, que se arrasta pelo mundo, procurando algo que nem ele sabe o que seja. Que se atira de precipícios em busca da felicidade que é, como tudo, irreal.

O louco caminha, de cigarro numa mão, caneta e caderno na outra, parando de tempo a tempo para saborear o paraíso e depois dizer que este não existe.




A praia por onde caminho, louco de cigarro na mão, não existe também. Nunca existiu sequer uma praia aqui, neste plano de nada. Apenas eu e as sombras que deixo cair no chão. Apenas eu e as sobras que deixo cair no chão.


O medo que sinto, é irreal. A dor que sinto, é irreal. A tristeza que sinto, é irreal.


(de que tenho medo se o fim já chegou?)