Friday, 15 January 2021

manhã [incompleto]

 fomos uma manhã de segunda-feira, desperdiçada em cafés e fingir que estávamos acordados que chegue para trabalhar. Devíamos ter sido uma tarde de sexta, para aproveitarmos toda aquela força de ter o fim de semana a chegar mas não. 

Já era quase de noite, quando tropecei no teu riso quase estridente numa rua perdida no meio da aldeia e as horas não perdoaram o espaço que demorou o meu passo a encontrar o teu. Tivesse eu voltado atrás quando pelo ombro te vi os olhos a brilharem à luz meio enevoada do sol, em vez de ter seguido por aquela rua idiota, mão dada com um espantalho, e teria sido tudo diferente. Pergunto-me que foi que viste em mim, no meu andar, no meu olhar, no meu ser que te puxou, que te fez olhar na minha direcção enquanto eu olhava na tua, aquele primeiro cruzar de olhos que tão fatídico se tornou meses depois.